Food defense: mais que uma tendência, práticas essenciais para garantir qualidade e segurança

O food defense, técnicas e procedimentos para proteção de alimentos em toda cadeia produtiva, foi reforçado depois dos ataques às Torres Gêmeas, em 2011. Naquela época, começou-se toda uma investigação sobre áreas vulneráveis e a indústria alimentícia foi uma delas. Chegou-se à conclusão de que se as empresas do setor sofressem algum ataque, poderia haver enormes danos para a população a nível mundial por causa da exportação. Desse estudo, surgiram várias diretrizes do Governo Americano em conjunto com o FDA. 

Assim, todas as empresas que têm relação comercial com os Estados Unidos precisam seguir suas normas. Na Europa, também há ferramentas, o PAS 2017, que vigora em todo continente. O objetivo é proteger o consumidor de ataques maliciosos aos alimentos. 

Food defense é importante para todos

Mesmo quem comercializa seus produtos apenas no território nacional deve adotar práticas de food defense. Isso porque há riscos de contaminação dos alimentos (intencional ou não). Quando o ataque é intencional, os motivos mais frequentes do ato criminoso são  funcionários insatisfeitos, motivações ideológicas ou até concorrentes.

Se ocorrer, a qualidade dos seus produtos e a segurança de quem os consome pode estar em risco. A reputação da marca também pode ser arranhada, pois os sabotadores podem introduzir pequenos objetos, fios de cabelo, pedaços de unha e substâncias nos alimentos, por exemplo. Nem são necessárias muitas explicações para dizer que se isso acontecer o barulho nas redes sociais e na mídia vai trazer muitos impactos negativos para as suas vendas e marca. 

Para evitar que a sabotagem intencional na indústria alimentícia ocorra, há alguns procedimentos muito indicados

  • Conheça sua empresa, processo e conte com o olhar de um auditor externo

Primeiramente, é preciso identificar os pontos vulneráveis de sua indústria e do seu processo de produção. Além da sua análise, conte com um auditor externo. A familiaridade com o local e procedimentos podem criar pontos cegos para você.

Isole áreas estratégicas apenas para pessoas autorizadas

Não é à toa que existem locais com restrição de acesso. São pontos em que o risco de contaminação é maior, onde acontece a manipulação de ingredientes, por exemplo, departamentos de embalagem e outros.

  • Conheça fornecedores e faça inspeções

O food defense é caracterizado por estratégias de proteção aos alimentos em toda cadeia produtiva. Por isso, a contaminação pode ocorrer fora da sua empresa. No entanto, o impacto será sentido por sua indústria da mesma forma. Assim, é de suma importância inspecionar seus fornecedores para garantir a qualidade final do seu produto.  

  • Verifique condições da água

Referência em segurança de alimentos, o site Food Safety Brazil, recomenda inspecionar o fornecedor de água e realizar vistorias frequentes no local onde fica a caixa d’água. 

  • Avalie os meios de transportes

A contaminação também pode ocorrer enquanto os produtos ou matérias-prima forem transportadas. Por isso, os veículos devem ser inspecionados.  

Food defense é tendência mundial, Brasil ainda não acompanha

De acordo com a Food Safety Brasil, o nosso país não tem a cultura de adotar práticas de food defense. Porém, é preciso ficar de olho nessa tendência mundial. Mais do que seguir algo que está sendo feito nos quatro cantos do planeta, o food defense é essencial porque aumenta a qualidade dos seus produtos, melhora a imagem da sua marca e ajuda a oferecer segurança para o consumidor final. 

O assunto é tão relevante para a indústria alimentícia que foi objeto de estudo de uma tese na USP. A base desta publicação, além do conhecimento da Invista Foods, é a pesquisa de Larissa Figueira. “Os Conceitos de Defesa dos Alimentos (Food Defense) e Fraude em Alimentos (Food Fraud) Aplicados em Fábrica de Temperos Cárneos – um estudo de caso” está disponível gratuitamente na biblioteca on-line da USP. Vale a pena acessar. Está disponível neste link.

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